A costura como ferramenta facilitadora de desenvolvimento pessoal das crianças



Há 9 anos que ensino costura a crianças de diversas escolas e percebo que o impacto da aprendizagem da actividade tem efeitos diferentes nas crianças. Se há crianças que chegam a actividade muito eufóricas e tenho que trabalhar o auto-controle e a paciência ou há outras crianças que chegam tímidas e inseguras e tenho que trabalhar a auto-confiança, fazendo-as acreditar no seu trabalho, para no fim ambas chegarem ao mesmo resultado, ou seja, realizar o projecto proposto com sucesso.

Ao longo destes anos tenho mantido contacto com uma grande amiga, a Clarissa Candiota, que é especialista em aprendizagem humana, formada em psicopedagogia clínica, vive na cidade de Porto Alegre, no sul do Brasil. Em consultório atende crianças com transtornos e dificuldades de aprendizagem, tendo experiência com crianças que utilizaram a costura como ferramenta facilitadora do processo de desenvolvimento pessoal e utilizam um dos meus livros " Costurar é divertido" como inspiração.


Veja a entrevista que fiz a ela:


Desde quando utiliza a costura como terapia?

Há alguns anos publiquei um trabalho sobre o Transtorno da Matemática, chamado discalculia. Nesta altura, utilizei pequenos quadrados, pontos e recortes para trabalhar a consciência concreta do número.


O que a fez seguir esse caminho? A possibilidade de trabalhar de forma concreta a utilidade dos números a costura consegue representar concretamente com as medidas, e pontos e contar os quadrados e ter algo pronto, feito e terminado.


Existe algum distúrbio de comportamento ou emocional (dislexia, déficit de atenção, hiperatividade etc…) que tenha identificado a costura como uma terapia alternativa às existentes nos manuais?

Em todos os casos pode ser uma ótima ferramenta a desenvolver habilidades, tudo dependerá da forma que for aplicada e desafiada.


Quais são as grandes vantagens da costura?

A costura oferece o planejamento e a execução de uma tarefa, contribuindo assim para o desenvolvimento da memória de trabalho, da memória sensorial, da memória de longo prazo e também das funções executivas. Costurando é possível ver as aplicações práticas dos conceitos da matemática e a importância da execução adequada do planejamento feito anteriormente. Aprender a trabalhar em equipe, descobrir habilidades específicas, desenvolver a motricidade fina é ainda mais necessário nesse momento onde as novas tecnologias abandonaram o lápis e papel, e na sua maioria todos trabalham e aprendem com telas. Na perspectiva familiar, é uma atividade integradora entre crianças, adolescentes e idosos, oportunizando trocas de conhecimento e cenas de aprendizagem em família.


Obrigada querida Clarissa!


*Este texto foi escrito em Português e Português do Brasil

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